Bastidor.pe se pronuncia sobre origem dos cartazes: "O veículo noticiou os fatos. Agora, cabe às autoridades descobrir quem os praticou"
- Zalxijoane Ferreira

- há 9 horas
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O portal Bastidor.PE se manifestou sobre a investigação envolvendo cartazes apócrifos contra a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), encontrados no Recife Antigo no fim de agosto. Confira íntegra da nota abaixo.
O veículo afirmou que recebeu uma denúncia sobre a existência do material e enviou um repórter ao local para verificar a informação.
Segundo o portal, os cartazes foram encontrados em diferentes pontos da região e registrados pela equipe.
“O Bastidor.PE não colocou os cartazes nas ruas. O portal recebeu uma denúncia, foi ao local, encontrou os materiais, registrou o que estava acontecendo e publicou a informação”, afirmou.
O veículo também levantou questionamentos sobre o destino dos cartazes retirados das ruas pela Prefeitura do Recife. De acordo com a manifestação, a remoção teria ocorrido ainda em 30 de agosto, antes da estruturação da investigação criminal.
O Bastidor.PE pergunta se os materiais foram preservados, encaminhados às autoridades ou registrados por fotografias e relatórios durante a retirada.
A afirmação sobre a remoção e os questionamentos apresentados correspondem à versão divulgada pelo próprio portal.
Câmeras do Recife Antigo
Outro ponto levantado pelo veículo diz respeito às imagens de câmeras de segurança da região.
O Bastidor.PE questiona por que, segundo sua avaliação, ainda não foram divulgados registros que permitam identificar quem realizou as colagens, especialmente na Rua Bione, citada pelo portal como um dos locais onde as peças foram encontradas.
O veículo também compara o episódio com outro caso de cartazes contra João Campos e afirma que, naquele episódio, imagens das colagens foram apresentadas.
“Por que a Frente Popular de Pernambuco conseguiu apresentar imagens de um caso mais antigo e não apresenta, até o momento, imagens das colagens do caso mais recente?”, questionou.
Sigilo da fonte
Na manifestação, o portal também criticou o direcionamento das diligências para informações sobre a origem das imagens recebidas e reafirmou a defesa do sigilo da fonte. Para o Bastidor.PE, a investigação deve se concentrar na identificação de quem produziu, financiou,
Da redação/Itapuama FM, com informações do Blog Nill Júnior. Imagem: Reprodução/Instagram/Itapuama FM.
NOTA COMPLETA - BASTIDOR.PE:

O Bastidor.PE vem à sociedade prestar esclarecimentos sobre os fatos que envolvem os cartazes apócrifos encontrados no Recife Antigo, as medidas adotadas posteriormente e o debate que passou a se estabelecer em torno da atuação deste portal e de seus jornalistas.
O Bastidor.PE recebeu uma denúncia sobre a existência de cartazes com ataques à governadora Raquel Lyra. Diante da informação, a redação enviou um repórter ao local para verificar presencialmente o que estava acontecendo.
A equipe encontrou material físico espalhado pelas ruas do Recife e registrou diferentes pontos onde as peças estavam afixadas.
Portanto, é importante deixar claro: a publicação não nasceu da simples reprodução de uma mensagem recebida. Houve apuração jornalística e verificação presencial dos fatos.
Ainda no domingo, 30 de agosto, a Prefeitura do Recife determinou a retirada dos cartazes (Ofício SEOPS/SECON/AJ nº 312/2026). Funcionários da gestão foram às ruas e iniciaram a remoção dos materiais. Isso aconteceu antes de uma investigação criminal estruturada e antes da posterior determinação judicial para o recolhimento e a preservação dos exemplares físicos remanescentes para eventual perícia.
É justamente nesse ponto que surgem perguntas que continuam precisando de respostas.
Por que a Prefeitura do Recife determinou a retirada dos cartazes antes de uma investigação criminal e de uma perícia oficial? O que foi feito com os materiais retirados? Onde eles estão? Foram preservados? Foram encaminhados a alguma autoridade? Existem fotografias, relatórios, registros ou exemplares recolhidos pelos próprios agentes públicos durante a operação?
Essas perguntas são relevantes porque, posteriormente, a ausência de determinados cartazes nas ruas passou a ser utilizada como argumento para questionar a existência física das peças. Mas é preciso lembrar: os materiais foram retirados justamente por determinação da própria gestão municipal.
Não se pode remover o objeto do ambiente e depois tratar a ausência dele naquele ambiente como evidência de inexistência anterior.
Também é necessário esclarecer o que aconteceu com as imagens das câmeras de segurança do Recife Antigo. Por que, até hoje, não foram apresentadas imagens capazes de mostrar as diversas colagens realizadas naquela região, especialmente na Rua Bione, onde houve registro das peças?
Se existem câmeras capazes de registrar quem esteve nos locais e realizou as colagens, por que essas imagens não estão no centro da investigação?
Há ainda uma questão que merece uma resposta objetiva. A Frente Popular de Pernambuco já conseguiu apresentar imagens de colagens de cartazes contra João Campos ocorridas há mais de um mês. Por que, no caso dos cartazes apócrifos contra a governadora Raquel Lyra, registrados há pouco mais de uma semana, até agora não foram apresentadas imagens equivalentes das colagens?
Por que a Frente Popular de Pernambuco conseguiu apresentar imagens de um caso mais antigo e não apresenta, até o momento, imagens das colagens do caso mais recente?
Não cabe ao Bastidor.PE antecipar respostas. Cabe às autoridades e aos responsáveis pelos registros esclarecerem essas questões.
O que causa preocupação é que, depois que a Prefeitura retirou os materiais, a Frente Popular de Pernambuco passou a questionar as imagens publicadas pelo Bastidor.PE e apresentou à Justiça Eleitoral pedido de novas diligências sobre a origem dessas imagens.
A partir daí, uma investigação que deveria estar concentrada na autoria, produção, financiamento e distribuição dos cartazes passou a alcançar a estrutura de um veículo de imprensa e o caminho percorrido por uma informação até chegar à redação.
É aqui que ocorre uma inversão que precisa ser apontada à sociedade.
O fato original é que alguém produziu e colocou aqueles cartazes nas ruas.
A pergunta principal deveria ser: quem produziu, quem financiou, quem imprimiu, quem distribuiu e quem realizou as colagens?
O Bastidor.PE não colocou os cartazes nas ruas.
O portal recebeu uma denúncia, foi ao local, encontrou os materiais, registrou o que estava acontecendo e publicou a informação.
Questionar a atuação jornalística é legítimo. Investigar os fatos também é legítimo. O que não pode acontecer é a investigação sobre a origem dos cartazes ser subvertida a ponto de transformar quem denunciou e noticiou o fato em alvo principal da investigação sobre o próprio fato.
E é nesse contexto que aparece uma questão ainda mais grave: o sigilo da fonte.
O sigilo da fonte não é um privilégio de um jornalista ou de um veículo. É uma garantia fundamental para o exercício da liberdade de imprensa. É o que permite que uma pessoa que tenha documentos, fotografias, relatos ou informações de interesse público procure um jornalista sem o temor de que sua identidade seja posteriormente exposta.
O problema, portanto, não termina quando se tenta obrigar um jornalista a entregar uma fonte. O problema começa aí.
Quando uma investigação sobre determinado fato passa a buscar prioritariamente a identidade de quem levou aquela informação à redação, o efeito ultrapassa o processo em discussão. Qualquer cidadão que presencie uma irregularidade, tenha um documento ou decida denunciar uma ação indevida do poder público pode passar a pensar duas vezes antes de procurar a imprensa.
O caso dos cartazes envolve uma disputa política e eleitoral. Mas o princípio em discussão é muito maior do que essa disputa.
Queremos que haja investigação. Queremos saber quem colocou os cartazes nas ruas.
Queremos saber por que materiais que poderiam servir como prova foram retirados antes de uma perícia oficial e qual foi o destino deles.
Queremos saber por que determinadas imagens são apresentadas em um caso e não aparecem no outro.
E queremos que o debate público permaneça onde deve estar: nos fatos e nas responsabilidades de quem praticou os fatos.
O Bastidor.PE continuará exercendo seu trabalho jornalístico com independência, preservando suas fontes e informando a sociedade.
O Bastidor.PE noticiou os fatos. Agora, cabe às autoridades descobrir quem os praticou.




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